Coçar os olhos impede estabilização do ceratocone e é mais uma dificuldade quando a catarata aparecer
 
Portadores de ceratocone, que mantém o hábito de coçar os olhos com frequência, impedem que esta deformação da córnea se estabilize e são fortes candidatos a enfrentar problemas quando a catarata chegar com a maturidade.
 
Quem alerta é o oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Mario Jampaulo.
 
O ceratocone normalmente estabiliza-se. Mas, assinala o oftalmologista, para o portador que mantém o hábito de coçar e esfregar os olhos, sua evolução pode permanecer mesmo na maturidade e acarretar sérias dificuldades para obter um resultado satisfatório quando chegar o momento de fazer a cirurgia de catarata.
 
Cone - O ceratocone altera o formato e a espessura da córnea, deixando-a com o aspecto de um cone. Na maioria dos casos, aparece cedo, na adolescência, é progressivo, vem acompanhado da evolução do astigmatismo e pode estabilizar entre os 30 e os 40 anos de idade. "O ceratocone atinge uma a cada mil pessoas e é mais comum ocorrer entre adolescentes e jovens adultos, algumas vezes, é provocado ou agravado pelo hábito de coçar os olhos durante a puberdade, fase da vida em que a córnea está mais flexível", esclarece Jampaulo.
 
Ao manter o hábito de coçar os olhos com frequência, o paciente com idade acima de 30 anos pode prolongar o tempo de progressão da deformidade da córnea e sua curvatura que deveria estar estabilizando continua a aumentar. Quando, por volta dos 50 ou 60 anos, a catarata instala-se neste portador de ceratocone e, então, é necessário realizar a cirurgia de substituição do cristalino, pois este é o único tratamento existente, as medidas da córnea podem dificultar o cálculo da lente intraocular a ser implantada, comprometendo o resultado da facoemulsificação e gerando novos desconfortos ao paciente.
 
Biometria - Mário Jampaulo explica que a biometria é o principal exame oftalmológico para calcular o grau da lente intraocular que será implantada na cirurgia de catarata em substituição ao cristalino opacificado, o que impede a visão nítida. Este exame fica menos preciso nos casos em que as curvaturas corneanas estão severamente aumentadas e irregulares.
 
"A biometria é um exame essencial para o sucesso da cirurgia de catarata. Determina com exatidão as dimensões do interior do globo ocular e permite o cálculo do poder das lentes intraoculares. Mede ainda estruturas diversas que poderão estar alteradas durante a cirurgia de catarata. Sem este exame, o paciente não pode fazer a cirurgia de implante da lente intraocular", adverte o oftalmologista.
 
Cristalino - A catarata é uma condição que acomete todas as pessoas com idade acima de 55 anos, em média. Trata-se da opacificação do cristalino - lente natural dos olhos - que, em consequência do envelhecimento do organismo, torna-se amarelado e impede a passagem da luz para a formação nítida das imagens na retina e consequentemente no cérebro.
 
De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), anualmente, cerca de 600 mil brasileiros recebem diagnóstico de catarata e, com ele, o risco de cegueira reversível a partir da facoemulsificação.
 
Impedimento - Jampaulo reitera que, em alguns casos, o tratamento da córnea do paciente com ceratocone deve ser realizado antes da cirurgia de catarata. Essa estratégia promove soluções que aumentam as condições de sucesso no momento de tratar-se a catarata.
 
O especialista do HOB conta que este tratamento conjunto dispõe, atualmente, de uma série de recursos que levam a bons resultados.
 
Tratamento - Para tratar o ceratocone existem soluções como implantes de anéis intracorneanos, os quais retraem a deformação da córnea. Há ainda o crosslinking, um tratamento cirúrgico que consiste no enrijecimento da córnea por meio da aplicação de riboflavina (vitamina B2) e aplicação de luz ultravioleta. Quando a córnea estiver estabilizada, mas ainda houver resquício de astigmatismo, o uso de lentes intraoculares tóricas, próprias para corrigir este erro refrativo, podem ser uma solução a ser analisada pelo oftalmologista, esclarece Mário Jampaulo.
 

Cuidados com a Visão

Uso de colírios com outros remédios pode fazer mal à visão 

Usar colírios simultaneamente com outros medicamentos pode causar efeitos nocivos à saúde, principalmente no inverno, quando estamos mais suscetíveis às doenças da estação, como gripes, resfriados e alergias. Dependendo da combinação de medicamentos, o paciente pode ter aumento da pressão arterial e hemorragia.
Segundo informações do oftalmologista Leôncio QueirozNeto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas, o clima frio dobra o número de interações medicamentosas, principalmente de idosos que fazem tratamentos para doenças crônicas e mulheres que tomam contraceptivos ou fazem terapia de reposição hormonal. A simples associação de ácido acetilsalicílico (aspirina) com um colírio pode causar hemorragia. Isto não é muito comum, mas hipertensos, portadores de problemas cardíacos, asmáticos e fumantes já têm uma leve predisposição. “A aspirina é um antiagregante plaquetário e interfere na coagulação. O colírio mais usado para deixar os olhos branquinhos é um vasoconstritor, que ao diminuir o calibre dos vasos, pode causar elevação de pressão arterial, alterações cardíacas e catarata” diz o médico.
Queiroz aconselha o uso de compressa de água fria para reduzir o desconforto da irritação ocular provocada pelo frio. Se o sintoma não desaparecer em dois dias, a recomendação é consultar um oftalmologista.

 

Glaucoma

Há diversos tipos de glaucoma?

Há várias classificações dos glaucomas. As mais utilizadas os dividem em primários e secundários, de ângulo aberto ou fechado. Os glaucomas primários são aqueles onde a elevação da pressão intraocular não temcausa estabelecida, ao contrário dos glaucomas secundários, onde existem causas específicas da elevação da pressão intraocular, por exemplo, trauma (glaucoma traumático), inflamação intraocular (glaucoma inflamatório), proliferação de vasos sanguíneos (glaucoma neovascular), entre outros.
Quais os primeiros sintomas?O glaucoma de ângulo aberto, assim chamado devido ao mecanismo ocular que o causa, é o mais comum na população brasileira e é tipicamente assintomático. Assim, pacientes com esse tipo de glaucoma jamais se queixam de dor de cabeça, dor ocular ou olho vermelho. Na realidade, quando se queixam de alguma alteração visual, a doença já se encontra muito avançada, com alterações irreversíveis do campo visual. Por isso, há a necessidade de se fazer o diagnóstico precoce da doença em consultas de rotina ao oftalmologista e iniciar o tratamento imediatamente. Por outro lado, o glaucoma de ângulo fechado pode vir acompanhado de sintomas, geralmente envolvendo apenas um olho, causados por um aumento súbito da pressão intraocular. Esses sintomas incluem dor ocular intensa, olho vermelho, dor de cabeça, visão de halos coloridos e embaçamento visual. Esse quadro é chamado de glaucoma agudo e pode ser evitado, com um acompanhamento oftalmológico, com a realização de um procedimento a laser na íris denominado iridotomia.
Que doenças podem elevar a pressão intraocular?
Algumas delas são inflamações oculares (uveítes), trauma ocular, proliferação de vasos sanguíneos em pacientes diabéticos e uso de corticoides, todas podendo causar glaucomas secundários. Alguns tipos de glaucoma ainda não têm uma causa bem definida, por isso o oftalmologista busca diagnosticá-los precocemente e iniciar, assim que possível, o tratamento.